ENTREVISTA com
Wilson Gorj, da Editora Litteralux
15 de dezembro de 2025
Douglas Jefferson, bacharel em Filosofia
Foto: acervo pessoal do entrevistado.
Wilson Gorj, nascido em Aparecida, SP, atua como editor há 15 anos. É pai de Marina e autor de cinco livros. É o editor de uma das mais prestigiadas e produtivas editoras independentes da última década, com mais de mil e oitocentas publicações, incluindo livros de poesia, contos, crônicas, romance etc.: a Litteralux, antiga Penalux, de Guaratinguetá, interior de São Paulo, editora que acumula uma série de destaques nas premiações literárias de maior relevância do país, incluindo o tradicional e cobiçado Prêmio Jabuti.
Iniciada em 2012, após Tonho França e Wilson terem adquirido experiência em uma editora carioca, a então chamada Penalux lançou seu primeiro livro: “Apocalipse, Ontem”, de Diego L. Diniz. Desde então, foram centenas de novas obras, para cada um de seus selos editoriais. São eles: Castiçal, para contos, crônicas e romance; Candeeiro, para poesia; Lampejos, para autores em formação; Lustre, para livros acadêmicos; e Microlux, para microficção. Desde 2024, Tonho não faz mais parte da editora, deixando o cargo editorial inteiramente a Wilson.
Seus livros alcançam todas as regiões do país, com ao menos um(a) autor(a) em cada Estado brasileiro. Muitas obras obtêm grande repercussão crítica, como é o caso do livro A Face Serena (2018), de Maria Valéria Rezende; ou mesmo popular, como o internacional O Grande Deus Pã (2017), de Arthur Machen, traduzido especialmente para a editora, por Chico Lopes.
Pessoalmente, tive meu primeiro contato com a Litteralux ao ser convidado pelo amigo e poeta André D’Soares, autor do excelente (e também muito popular) Poesias Que Escrevi Com Fome (2017), a assinar o prefácio de sua obra. No mesmo ano, publiquei, em coautoria de Ester Barroso, meu primeiro livro de poemas: Nascente (2017), cuja qualidade editorial me impressionou. Nos anos seguintes, firmamos parceria de divulgação aqui em minha página com Ester, a Moça, você é mais poesia que mulher. E, mais recentemente, passei a colaborar com os projetos gráficos de capa e diagramação.
A seguir, acompanhe a entrevista que realizei com Wilson Gorj.
DOUGLAS: Primeiramente, muito obrigado pela entrevista. Gostaria de saber como você e Tonho se conheceram e onde surgiu a ideia de fundar a Editora Litteralux, anteriormente denominada Penalux.
WILSON: A Penalux nasceu durante um evento literário. Na ocasião, havíamos acabado de encerrar a parceria com uma editora também especializada em pequenas tiragens, onde atuávamos como editores freelancers. Dada a nossa condição de colaboradores, tínhamos uma gestão restrita no processo de edição dos livros, o que cerceava bastante nosso potencial enquanto editores. Essa busca por mais autonomia e liberdade para colocar nossas ideias em prática foi o que nos levou a sonhar com uma editora própria, com a nossa cara. E foi assim que demos corpo e chama à Litteralux.
DOUGLAS: Sabemos que você, para além do trabalho editorial, é autor. O que gosta de escrever e quais são suas maiores influências literárias? Pode nos contar um pouco sobre seus livros autorais?
WILSON: Tenho cinco obras publicadas: três de micronarrativas, um romance e uma coletânea de contos e minicontos que acabei de lançar pela Litteralux. Embora vez ou outra minha escrita produza algum poema, é na prosa que me sinto mais à vontade para escrever. Comecei com os contos, alguns dos quais foram até premiados em concursos literários. Depois, convidado a publicar num jornal, tive de aprender a cortar os textos, a buscar uma concisão que coubesse no pequeno espaço reservado à minha contribuição. Esse aprendizado me colocou em contato com o universo das micronarrativas e textos minimalistas, os tais minicontos e microcontos. Cheguei a ser, por outra editora, responsável por um selo dedicado exclusivamente ao gênero — o 3x4 | microficções, um dos selos pioneiros no país quando se trata de prosa minimalista. Hoje, a Litteralux também tem um selo com a mesma proposta, o Microlux. Nesse gênero publiquei os livros “Sem contos longos” (2007), “Prometo ser breve” (2010) e “Histórias para ninar dragões” (2012). Minhas influências literárias não se concentram apenas em alguns autores. Acho que quem lê com muita frequência acaba tendo essa dificuldade em apontar quais autores são prediletos e, no caso de quem escreve, quais são determinantes à sua escrita.
DOUGLAS: Após tantos anos, quais livros você tem mais orgulho de ter editado?
WILSON: Não saberia apontar alguns separadamente. Nosso orgulho maior é pelo trabalho geral que temos prestado à literatura nacional, embora a Litteralux tenha também publicado obras de peso internacional, como clássicos dos autores Arthur Machen, Henry James e Edith Wharton, e poetas representativos como Niels Hav (Dinamarca), Drago Štambuk (Croácia), Reina María Rodríguez (Cuba), Rodolfo Alonso (Argentina), entre outros.
DOUGLAS: O mercado editorial tem passado por grandes mudanças no século, com a internet. Como você lida com esses desafios?
WILSON: A Litteralux somente se tornou possível graças à Internet. É uma editora concebida diretamente por conta dessas mudanças tecnológicas e das possibilidades de acesso aos meios de produção, como as gráficas digitais, que permitem a impressão de pequenas tiragens, mesmo à distância. As redes sociais também são fundamentais no processo de divulgação e reconhecimento do nosso trabalho editorial. Os desafios são recorrentes, principalmente no contexto financeiro. Fechar o ano com as contas equilibradas continua sendo, senão o maior, mas, pelo menos, o desafio mais premente.
DOUGLAS: Aos interessados em publicar pela Litteralux, quais os critérios e os procedimentos formais?
WILSON: O critério básico continua sendo o mesmo de sempre: que o texto tenha qualidade literária, e o(a) autor(a), domínio no manejo da escrita. Por certo, é esse o aspecto mais relevante na hora de aprovarmos os originais. Também é importante que a pessoa conheça um pouco do nosso trabalho editorial. Nem que seja para confirmar se a nossa editora tem exatamente o perfil adequado à obra que ela pretende enviar para nossa avaliação.
DOUGLAS: Como de costume aqui no blog, poderia nos indicar alguns de seus livros e filmes favoritos? E o que você anda lendo atualmente?
WILSON: Particularmente, tenho pouco apego a filmes, portanto não saberia indicar quais são os meus favoritos. Gosto, sim, de ir ao cinema com a família, mas, em casa, raramente assisto algo para além dos vídeos que consumo pelo YouTube. A verdade é que esses olhos passam a maior parte do seu tempo na companhia das palavras. Nem por isso faço questão de ter livros favoritos. Gosto de estar disponível para surpresas e novidades, ampliando sempre a relação dos autores que me agradam. Mas posso indicar dois livros que sempre releio. São eles: “Dom Casmurro”, do Machado de Assis, e “As cidades invisíveis”, do Ítalo Calvino. Ultimamente tenho lido bastante literaturas japonesa, hispânica e, claro, nacional, predominantemente os livros da Litteralux.
Foto: acervo pessoal do entrevistado.
Entre em contato com a Editora Litteralux:
litteraluxeditora@gmail.com
FONTES:
“Por trás dos edifícios, o sol”: Entrevista com os editores Tonho França e Wilson Gorj. Disponível em: https://letraepalavra.wordpress.com/2013/04/22/por-tras-dos-edificios-o-sol-entrevista-com-os-editores-tonho-franca-e-wilson-gorj/
O vídeo “PAPO DE EDITORA: Penalux | LiteraTamy”. Disponível em: https://youtu.be/2iWKJFdlFzk?si=xt_80RLACsCbIDt0
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